O Tempo da Romã

O corredor do hospital tinha cheiro de ervas e pedra úmida. O residente seguia o velho médico há semanas — sala após sala, paciente após paciente — carregando a bolsa e guardando cada gesto dentro de si.

Até que numa manhã pediu:

“Deixe-me atender hoje.”

O velho assentiu.

A primeira paciente entrou segurando o ventre. Sentou-se devagar na cadeira de frente à mesa. O residente a examinou, reconheceu o que via e disse, com a segurança de quem está seguro de si e seus aprendizados:

“É o estômago. Coma romã. Vai passar.”

A mulher olhou para ele, franziu a testa e seu rosto fechou-se com olhar de reprovação. Depois olhou para a porta. Levantou-se sem responder e foi embora.

O residente ficou sentado, com a receita ainda na mão.

Virou-se para o velho: “O diagnóstico estava certo.”

O velho assentiu, mas não disse nada. Trocou de lugar com o residente e apenas esperou a próxima paciente.

Pouco depois, outra mulher entrou com a mesma queixa e sentou-se na mesma cadeira. O velho médico puxou a cadeira do lado de fora da mesa e se sentou perto dela — não à frente, ao lado. Perguntou quando havia começado. Se ela havia comido bem nos últimos dias. Se havia dormido.

A mulher falou. Ele ouviu.

Depois de um tempo, o velho disse com voz tranquila: “Conheço um fruto que costuma ajudar em casos como o seu. Já usou romã antes?”

Ela não havia. Então ele explicou como preparar. Ela saiu agradecida.

No corredor, o residente perguntou em voz baixa: “Era o mesmo remédio.”

“Era”, disse o velho.

“E a mesma doença.”

“Era.”

O residente parou no meio do corredor. O velho continuou caminhando.

Durante o resto da tarde, o jovem não fez mais perguntas. Apenas observou as habilidades do médico — como conversava calmamente com as pessoas, sem pressa, como se o tempo fosse parte do remédio.

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